segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Conhecendo Harry (Parte III) ... e o Prisioneiro de Askaban



Acho muito difícil que algum dos outros livros da série seja tão com quanto esse! Talvez seja porque acompanhar a evolução e o crescimento físico e emocional dos personagens, geralmente emociona e nos envolve bastante.

Devo dizer que é impossível não chegar a este ponto tendo a sensação de que conhecemos todos os personagens da trama, tamanha é a delicadeza, a riqueza de detalhes e a aproximação entre obra e leitores estabelecida pela autora.

Harry Potter e o Prisioneiro de Askaban, nos emociona tanto porque a todo tempo nos fala sobre família e sobre o impacto que o amor tem em nossas vidas. Nossa força e nossa vontade de nos superar está muito ligada a nos sentimos amados.

Vemos o bruxo partir de uma criança triste e sem amor, para um adolescente que se sente amado por seus pais mesmo depois da morte deles.

A amizade entre Harry, Rony e Hermione, é absolutamente linda e tocante!

A sinopse é a seguinte: 
Após uma briga na casa dos Dursley, Harry perde a paciência e faz um feitiço que transforma a tia Guida (irmã do tio Valter) em um balão. Irritado, o garoto pega as suas coisas e sai pela rua tentando fugir da maldade que o cerca naquela família. 

Sem rumo e ciente de que não poderá voltar para Hogwarts por ter realizado magia fora da escola, Harry fica pela rua escura e leva um grande susto após dar de cara com uma criatura assustadora. Mas logo o Nôitibus aparece e o resgata!

Nôitibus é um transporte de emergência para bruxos perdidos. Dentro do ônibus, que realiza uma viagem assustadoramente perigosa, Harry descobre que existe um fugitivo de Askaban. 
Sirius Black era um prisioneiro da prisão de Askaban, guardada por Dementadores e com a fama de um lugar assombroso e enlouquecedor. Sem julgamento, ele foi acusado de matar 13 pessoas e ser um partidário de Voldemort. 

Em Hogwarts, o clima é de tensão! Os Dementadores estão pela escola para tentar capturar Sirius que aparentemente está atrás de Harry para fazer o serviço de Voldemort não concluiu. 
O novo professor de Arte das Trevas, professor Lupin, ensina Harry a enfrentar os Dementadores que são criaturas que mexem profundamente com o menino. 

Nessa aventura, o medo é posto em evidência. Podemos entender que para combate-lo precisamos nos lembrar dos motivos que nos fazem caminhar. Dos que nos dão força para seguir e para enfrentar esses obstáculos que só servem para nos deixar cada dia mais preparados para os desafios.
Harry tem mais contado com a história de seus pais e ganha mais um objeto da juventude de Tiago Potter, o mapa do maroto. 

Esse livro foi de todos até agora, o mais emocionante! Desperta nos leitores uma profunda identificação com Harry e uma sensação de cumplicidade com o sofrimento do bruxo adolescente. 
É preciso frisar que o final é espetacular! A dose certa entre suspense, drama e aventura. Como sempre, a autora costura perfeitamente o enredo com o final fazendo com que terminamos a leitura ainda mais conectados com as aventuras desse bruxinho que estamos vendo crescer nas páginas que devoramos. Suas angústias e frustrações são dividas conosco e nos sentimos como parte de tudo aquilo.

Assim, este livro é considerado por muitos como o preferido da série. 
P.S: O filme é o primeiro da Saga que percebemos muitas mudanças na adaptação. Nada que estrague a história, muitas pessoas que não leram o livro consideram que este seja o melhor filme da série. Mas com certeza é o primeiro que nos sentimos tentados a fazer algum tipo de comparação e nos incomodamos um pouco, ainda mais depois de vermos A Pedra Filosofal e a Câmara Secreta serem tão bem adaptados, ficamos um pouquinho frustrados! Bem pouquinho, quase nada!

Estou me deliciando com esse desafio! Conhecer Harry Potter, com certeza foi uma das melhores escolhas literárias do ano. (Dito por alguém que também ama Dostoiévski) 


domingo, 28 de fevereiro de 2016

A Essência do Artista - Ana Faria




Ana Faria nasceu e vive na cidade de Belo Horizonte, capital do estado de Minas Gerais. É mestre em Geografia pela PUC Minas e atua como educadora de Ensino Fundamental e Superior. Desde criança sempre gostou de ler e escrever. Histórias de amor são as suas favoritas. Sonhava em fazer a diferença na vida das pessoas, através do ensino e das palavras. Hoje, professora e escritora, estes sonhos são realidade. Além de sua dissertação de mestrado, possui artigos científicos publicados, bem como um capítulo de livro, todos ligados à área de Geografia. Já publicou diversos poemas e contos. Em novembro de 2013 publicou seu primeiro romance cujo título é “Um Ano Bom”.
 Seu novo romance foi publicado em novembro de 2015 e tem como título "Um Amor de Muitos Verões".
 Sem conseguir parar de escrever por muito tempo, a autora está postando uma história inédita no wattpad e trabalhando em outros originais para um futuro próximo.

Sinopse de "Um Amor de Muitos Verões"
Guilherme e Silvia se conheceram em Arraial do Cabo quando ainda eram jovens e se reencontraram por três verões seguidos, vivendo um grande amor e uma profunda amizade. A vida e a distância fizeram com que cada um seguisse o seu caminho, guardando com carinho as lembranças daqueles verões que passaram juntos. Depois de doze anos, Silvia retorna a Arraial do Cabo, mais bonita, mais madura... e com o coração partido. Ela vive um momento triste, que desafia suas virtudes da fé, perdão, esperança e amor. Arraial do Cabo é o seu refúgio, em razão das belíssimas paisagens e das preciosas memórias que guarda. O reencontro com Guilherme é inevitável, embora ela não tenha ido até lá para vê-lo exatamente. Seria possível o amor que sentiam um pelo outro ter sobrevivido tanto tempo? Será que um amor assim tão grande teria a capacidade de curar o coração ferido de Silvia? O tempo seria um inimigo ou um aliado? Esta é uma história de como o amor pode ir muito além da paixão e resistir às imposições do espaço e do tempo.




1- Qual conselho você daria a si mesmo se não se conhecesse?

Viaje o máximo que puder. 


2- Como seria seu dia se você acordasse criança de novo?

Assistiria todos os desenhos animados da programação do Cartoon Network.


3- Quais são seus pequenos prazeres? Aquilo que você faz e ninguém liga, mas que te faz muito feliz?

Comer chocolate, assistir filmes e seriados, receber cartas, ler histórias de amor com finais felizes. 


4- 3 coisas que você faz, mas não gosta.

Roo unhas, deixo a preguiça vencer algumas vezes, demonstro meus sentimentos 


5- 3 coisas que você poderia fazer, gostaria de fazer, mas não faz? Por quê?

1 - Gostaria de me mudar para outro país por um período de seis meses a um ano para aprender/aperfeiçoar um novo idioma e ter experiências com outra cultura. Não faço por questões familiares e de logística. 
2 -  Gostaria de aprender a tocar violino, mas não tenho disciplina para treinar diariamente e para tocar bem um instrumento musical é preciso dedicação.
3 – Gostaria de gravar algumas músicas cantando, mas não faço pois tenho dúvidas se minha voz é bonita o suficiente e sou tímida para cantar diante de outras pessoas. 


6- Você prefere estar certo, ou ser feliz? Já abandonou uma discussão, mesmo sabendo que estava certo, porque estava com preguiça de continuar brigando? Como foi?

Vai depender do tema e do interlocutor. Se a pessoa está me escutando e debatendo, ouvindo o que digo e refletindo, a discussão vale à pena. Mas se a pessoa está convicta de seus pensamentos e não está interessada em aprender nada novo comigo, eu prefiro desistir. Não é preguiça, evito o desperdício de tempo e energia, é aquele velho ditado de não jogar pérolas aos porcos.


7- Você acordou dentro de um livro que você estava escrevendo. Descreva qual a primeira paisagem que vê.

Não literalmente, mas sempre converso em voz alta com meus personagens, como se fossem meus amigos imaginários e uso esses diálogos em minhas histórias. 


8- Quando você percebeu que virou adulto?

Ah, essa é boa: quando percebi que não era mais possível sair de casa sem uma bolsa, quando não tinha minha mãe para segurar minha testa quando estava passando mal no banheiro de casa, quando me dei conta de que tinha grana no bolso e gasolina no tanque do carro para ir aonde quisesse e chegar na hora que bem entendesse e que ainda assim preferi entrar para debaixo do edredom e dormir sossegada.


9- Você sentiu seu coração vibrar nas últimas 3 semanas? Por quê?

Assistindo ao trailer do X-Man Apocalipse ahahahaha


10- Qual foi o papo mais gostoso que você já teve nos últimos 2 meses. Do que se tratava e com quem era?

Com um dos personagens de um livro que estou escrevendo, conversamos sobre como é difícil aceitar que não podemos mudar o mundo. Enquanto somos jovens acreditamos em tantas mudanças extraordinárias, como naqueles filmes tipo “Mentes Perigosas” e “Escritores da Liberdade”. Mas então, ao poucos, a gente vai percebendo que não podemos fazer a diferença de maneira global, no máximo dentro de casa, na família, na vizinhança, como uma formiguinha, mais no estilo “Procurando Nemo”: enfrentando medos, ajudando amigos, protegendo quem amamos, tendo fé.


11- Se sua vida fosse um filme, qual filme você gostaria que fosse?

X-Man, hahaha, eu seria a Tempestade. 


12- Tem um desconhecido almoçando sozinho no mesmo restaurante que você. Se você perguntasse quem ele era, o que ele responderia?

Hummmm, que difícil.... Um anjo?!


13- Qual o melhor sabor do mundo?

Chocolate


14- Qual o melhor cheiro do mundo?

Perfume Calvin Klein One masculino


15- Descreva uma característica sua que você não sabe se é sua mesmo, ou se são seus pais dentro de você.

Bondade


16- Olhe a sua volta, por que você está onde está?

Pela Graça de Deus. 


Ana Faria, muito obrigada pela entrevista! Sou sua fã, você sabe! 
Para quem quer saber o quanto amo a escrita da autora, clique aqui e leia a resenha do seu livro "Um ano bom".
A feliz notícia que tenho para dar é que Ana Faria é parceira do blog e em breve vai ter resenha de "Um amor de muitos verões"por aqui. 

sábado, 27 de fevereiro de 2016

A Essência do Artista - Joyce Xavier



Joyce Xavier, nascida no Rio de Janeiro, apaixonada por música e composições, começou a escrever aos 16 anos. Já escreveu em alguns blogs pela internet, porém, somente em Março de 2013 rendeu-se aos encantos da rede social para publicar seus textos e pensamentos após uma depressão. Com a página “A tal da Joyce Xavier”, adquiriu milhares de seguidores de todas as idades. Um de seus sonhos era atender inúmeros pedidos: a publicação do seu primeiro livro, que somente após um ano conseguiu. "Brilho da Minh'alma" é um livro de frases, crônicas e contos e foi publicado em julho de 2014. Em dezembro do mesmo ano, Joyce publicou o seu livro de bolso, chamado "Encantos" e o projeto "Colorindo as Palavras" com outros 16 autores, ambos publicados pela Editora Deuses. No ano de 2015, Joyce publicou a comédia mais esperada dos seus leitores: "O diário dos trinta anos", publicado pela Editora Penalux. Para 2016, Joyce tem mais um livro de crônicas, "A outra voz" e um juvenil, em coautoria com Lucinei Campos, chamado "Entre Sonhos", ambos serão publicados de forma independente.
Entre seus planos estão o término de sua faculdade de Letras e Literatura e a continuação no caminho que lhe deu a cura e a vida: a escrita.



Sinopse de "O diário dos Trinta Anos".
Maria Luisa Fernandes, Malu, Maluí ou Maluca, formada em Ciências Contábeis e Psicologia, trabalha com a sua amiga de faculdade, Diana em seu próprio escritório contábil. Com a vida economicamente bem, porém depressivamente louca, Malu ganha de presente no dia seu aniversário de trinta anos, um diário – que o nomeia de Ginger - da debochada Carol Portinari, atual do seu ex, Marcelo. Protagonista de inúmeros relacionamentos fracassados pela traição, ela sofreu uma depressão quando terminou com Rafael, um relacionamento intenso e forte e preferiu jogar fora todos os seus remédios e não ir mais para a terapia. Rendeu-se a embriaguez. Com as suas noites de bebedeiras ao lado de seu amigo Brit, ela sempre é salva por Dona Dalva em seu escritório. Os dias de ressaca são normais nos dias de solidão ela ouve Spice Girls. Sempre com um jeito de menina e apaixonada por sexo, Malu não quer crescer – “É um paraíso ser criança. É um inferno ser adulto. – A mesma diz em um de seus dias melancólicos. Procura homens em redes sociais e aventura-se com Fernando, o motoboy da sua empresa e PH, o pipoqueiro do bairro, ambos relacionamentos de carência e tesão. Nos dias de TPM, ela sempre se desgasta com a sua amiga Antunieta e no seu pior dia de porre reencontra seus amigos de longa data: Amanda, Rodrigo, Thiago e Arthur. Além de ir para uma rave e descrever todas as páginas deste diário com inúmeros palavrões. Sua essência é desbocada. Neste diário, você encontrará uma mulher que faz piada da sua própria desgraçada. Você soltará gargalhadas com o jeito espontâneo e libertador de Malu, você perceberá o quanto pode perder tempo sofrendo por alguém, se ao seu redor pode ter alguém que realmente te ame.



1- Qual conselho você daria a si mesmo se não se conhecesse?

Não seja tão coração, siga mais a razão.


2- Como seria seu dia se você acordasse criança de novo?

Eu acordo criança todos os dias.. hahaha!


3- Quais são seus pequenos prazeres? Aquilo que você faz e ninguém liga, mas que te faz muito feliz?

Escrever! Muitos acham bobagem, mas eu amo.


4- 3 coisas que você faz, mas não gosta.

Acordar cedo, lavar o banheiro e andar de ônibus.


5- 3 coisas que você poderia fazer, gostaria de fazer, mas não faz? Por quê?

Viajar mais (minha situação financeira não permite.. hahaha)
Malhar (preguiça infinita)
Dormir cedo (não consigo!)


6- Você prefere estar certo, ou ser feliz? Já abandonou uma discussão, mesmo sabendo que estava certo, porque estava com preguiça de continuar brigando? Como foi?

Estar certo, não me deixa feliz, mas me deixa tranquila. Ser feliz, me deixa a certeza de estar tranquila. Pode parecer confuso, mas ambos têm bons resultados e para mim, é indiferente. Porém, já abandonei brigas por ter problemas mais sérios para me preocupar, do que discussões que sei, que não levarão a nada.


7- Você acordou dentro de um livro que você estava escrevendo. Descreva qual a primeira paisagem que vê.

Com certeza, um bar, violão e inúmeras garrafas de cerveja.


8- Quando você percebeu que virou adulto?

Eu ainda sou criança, ser adulto é insuportável. Não gosto de pensar sobre isto hahahaha


9- Você sentiu seu coração vibrar nas últimas 3 semanas? Por quê?

Sim! Nos acertos do meu novo livro!!! A outra voz, em breve!


10- Qual foi o papo mais gostoso que você já teve nos últimos 2 meses. Do que se tratava e com quem era?

Com a Keila Sacavem, sobre o que as mulheres não gostam nos homens.


11- Se sua vida fosse um filme, qual filme você gostaria que fosse?

Loucas pra casar, pois gostaria muito que todas os erros dos homens, fossem realmente paranoias!


12- Tem um desconhecido almoçando sozinho no mesmo restaurante que você. Se você perguntasse quem ele era, o que ele responderia?

Posso ser quem você quiser, depende de você.


13- Qual o melhor sabor do mundo?

Da alegria.


14- Qual o melhor cheiro do mundo?

Do amor.


15- Descreva uma característica sua que você não sabe se é sua mesmo, ou se são seus pais dentro de você.

Gostar de música, principalmente Rock in Roll.


16- Olhe a sua volta, por que você está onde está?

Porque eu preciso trabalhar, para realizar os meus sonhos!


Obrigada pela entrevista, Joyce! Muito sucesso para você! Beijos Coloridos, Pit! 

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

A Essência do Artista - Jéssica Pançardes

E a entrevista de hoje é com a minha querida escritora teen Jéssica. Ela tem 15 aninhos, mas tem muito a dizer! Tive a honra de fazer o prefácio do livro dela.
Vem conhecer a essência dessa lindeza!


 Jéssica Pançardes
Resumo do autor: "Estou tentando fazer aquilo que ninguém faz, para tentar ser o que ninguém é. Prazer um nove em meio a muitos dez."



Sinopse da obra:
"Certo dia, ouvi o autor e roteirista George Moura dizer em uma entrevista que "a arte de escrever consiste em falar sobre o abismo que existe entre o que as pessoas são e o que elas podem ser". Quando mergulhei nos escritos de Jéssica, percebi que se tratava de muito mais que o abismo mencionado por George Moura. Jéssica nos mostra também o mundo antes disso! Antes dos sonhos que tecemos ao decorrer da vida, antes de sabermos exatamente quem somos. mas ela também nos mostra a construção de um alguém que sonha e que ama poder sonhar! - Pit Larah"



1- Qual conselho você daria a si mesmo se não se conhecesse?

Huum, eu diria para eu ser feliz enquanto há tempo, pois o mundo lá fora é difícil. Eu diria muitas coisas aleatórias na verdade, mas conselho seria esse.


2- Como seria seu dia se você acordasse criança de novo?

Seria mágico! Estar na infância é estar em mundo fantástico, não tanto em um sentido de “viver uma distopia” onde seus pais são os totalitários da etapa que você está vivendo na sua vida, mas uma coisa mais leve, uma coisa que só descobrimos quando crescemos. Infelizmente. 


3- Quais são seus pequenos prazeres? Aquilo que você faz e ninguém liga, mas que te faz muito feliz?

Eu tenho a constante mania de observar o mais simples, observar as pessoas que já caíram na minha rotina e os objetos também, acho fantástico observar qualquer coisa que seja e imaginar a história dela ou criar uma história, afinal, todos precisamos de uma. Como estou sempre andando de ônibus fico reparando, de uma forma boa, nas pessoas e imaginando coisas e me fazendo perguntas como “por que aquele cara está sorrindo tanto ?” ou “por que aquela moça está com um semblante tão cansado?” 


4- 3 coisas que você faz, mas não gosta.

Hum, está é meio difícil, mas acho que as três coisas seriam: 
Ficar triste ou aborrecida, eu odeio ficar assim, parece que estou sendo ingrata com a vida e até comigo mesma.
Não conseguir me aproximar tanto de crianças, elas para mim são os seres mais fantásticos e intocáveis do mundo, sou muito “bruta, ogra” e criança pra mim é algo de vidro, sensível a qualquer esbarrão, elas não merecem qualquer tipo de mal, e eu de certa forma posso trazê-los até elas. Falo que “não gosto” de crianças, mas, na verdade eu sou apaixonada. 
Ser muito fechada, sou uma pessoa muito comunicativa, mas às vezes, quase sempre, me fecho em “meu mundo” e fico “presa” naquela bolha onde só eu posso sair e entrar na hora que quiser.


5- 3 coisas que você poderia fazer, gostaria de fazer, mas não faz? Por quê?

Ser organizada, não faço por preguiça na maioria das vezes.
Ser mais livre, às vezes me prendo com uma espécie de “medo” do que poderia acontecer se eu fosse “mais eu” e menos “da vida”
Não ser, eu me dou muito, eu quero muito e quero já, na maioria das vezes, cobro muito de mim, estou “bem” a todo tempo. Como se tudo fosse “perfeito”, mas li em um livro algo como “não precisa estar tudo bem sempre”. Acho que por eu ter me tornado uma pessoa muito positiva, uma coisa acaba levando a outra. 


6- Você prefere estar certo, ou ser feliz? Já abandonou uma discussão, mesmo sabendo que estava certo, porque estava com preguiça de continuar brigando? Como foi?

Muitas vezes já preferi estar certa, hoje quero estar feliz. Já sim, já “abandonei” muitas brigas, não por estar com “preguiça” e, sim, por pensar da seguinte forma “se eu sei a minha verdade, se que EU estou certa, por que vou discutir com a verdade alheia?” Entende? Se você sabe que sei lá, lavou aquele copo e ele está sujo quando a sua mãe chega, dane-se, você sabe que fez!


7- Você acordou dentro de um livro que você estava escrevendo. Descreva qual a primeira paisagem que vê.

Eu estava andando de bicicleta com os braços abertos pelo condomínio onde eu moro, estava uma paz, uma calmaria, até que quase sou atropelada.


8- Quando você percebeu que virou adulto?

Não foi algo como “BOOM, virei adulta”, foi algo precoce, porém que foi amadurecendo com o tempo, um amadurecimento rápido, mas mesmo assim bom. Eu tenho certeza que se pudesse ainda estaria fazendo conta de 1+1 e jogando bolinha de gude com minhas bonecas, mas crescer é bom, o mundo vem para você com “cheirinho de aventura”, um universo que quando vi, já pertencia. Estou gostando.


9- Você sentiu seu coração vibrar nas últimas 3 semanas? Por quê?

Sim, estava ouvindo uma música que falava sobre o futuro, e pensei em como eu já estava vivendo parte daquela letra e de como seria quando fosse viver a outra. Fantástica a sensação de saber que tem todo um universo “esperando” por você logo ali na frente.


10- Qual foi o papo mais gostoso que você já teve nos últimos 2 meses. Do que se tratava e com quem era?

Falava sobre a faculdade e sobre a vida com uma tia minha, vivo com esta tia, ela começou a “aceitar” o fato de eu já estar “virando adulta” e de querer ir embora logo e tal, é algo que ainda falta um tempinho, mas que eu amo falar sobre.


11- Se sua vida fosse um filme, qual filme você gostaria que fosse?

Diário de Uma Baba, sem dúvidas eu amo este filme. Amo como a personagem vai vivendo e passando por todos os acontecimentos.


12- Tem um desconhecido almoçando sozinho no mesmo restaurante que você. Se você perguntasse quem ele era, o que ele responderia?

Bom, se fosse alguém como o Robert Downey falaria “você sabe quem eu sou”, kkkk, mas se fosse uma outra pessoa eu acho que diria “sou uma pessoa solitária que estava aqui comendo minhas panquecas com café meio amargo e esperando alguém como você vir falar comigo logo, sente-se”


13- Qual o melhor sabor do mundo?

O sabor da descoberta, sem dúvida nenhuma é o melhor. Seja descobrir uma comida, um lugar ou a alma de uma pessoa, o gosto disso é bom e estou sempre querendo provar.


14- Qual o melhor cheiro do mundo?

O cheiro do futuro. Sinto ele sempre, gosto de senti-lo, tenho prazer em ter este aroma comigo.


15- Descreva uma característica sua que você não sabe se é sua mesmo, ou se são seus pais dentro de você.

Destemida! Não de coisas como ratos ou baratas mas, sim, destemida em relação ao desconhecido, ao novo, ao medo. Eu gosto de descobrir como as coisas funcionam do meu jeito, não tenho medo de ir lá e dar um tapa no “medo” que insiste em querer tentar mandar em mim. Eu gosto de novidade, não deixo que as coisas caiam na rotina, estou sempre destacando os pontos sobre o “porquê de termos que fazer ou ver aquilo todo dia”.


16- Olhe a sua volta, por que você está onde está?

Estou em uma montanha russa que só vai pra cima, não sei se sou exata e corretamente a mais indicada para estar em um dos vagões deste brinquedo que se chama vida, mas sou feliz e agradecida por terem me dado um ticket para participar “disso”. Não sei se sentirei náuseas ou vontade de sumir quando pegar um embalo e descer rápido, mas acho que irei conseguir chegar até o final. Mesmo que o final seja somente depois do parque fechar. Caberá a nós a decisão, somos os condutores e os participantes disso. Até onde você aguentaria correr, ou, para melhor dizer, até onde você aguentaria voar por você mesma?



Obrigada por essas lindas palavras, Jéssica! Beijos Coloridos da Pit! 
;)



segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Sentimentos Literários - A Morte de Ivan Ilitch (Leon Tolstoi)

"A história da vida de Ivan Ilitch foi das mais simples, das mais comuns e portanto das mais terríveis."


Ano: 2015 / Páginas: 101
Idioma: português 
Editora: L&PM

"Não existirei mais e então o que virá? Não haverá nada. Onde estarei quando não existir mais? Será isso morrer? Não. Eu não vou aceitar isso!”"


Publicada pela primeira vez em 1886, a fascinante novela de Tolstói, considerada a melhor da literatura mundial, nos desperta para certos debates internos que nos colocam para analisar o sentido de nossa existência.

Narrada em terceira pessoa, mas sem nos poupar de entrarmos na cabeça da personagem de Ivan Ilitch e acompanharmos meus pensamentos e seus temores quando encontra-se de cara com a morte, a história começa já no enterro de Ivan e nos apresenta seus últimos meses de vida, enquanto a iminência de sua morte aponta para uma revelação cruel!

Ivan Ilitch era um homem comum. Estudou porque tinha que estudar, casou-se porque estava na hora de casar, trabalhou porque tinha que trabalhar, criou os filhos porque precisava criar. Nada em sua vida foi feito com verdadeira paixão. A ordem e a rotina eram o mais importante para ele e isso tudo parecia ser o correto. A decência e a moral eram seus únicos objetivos de vida e seu refúgio sempre foi o trabalho. Sua única preocupação era conseguir ser o melhor profissional possível e conquistar cada vez mais promoções para que seu salário aumentasse. 

E então, quando uma doença se instala, a realidade começa a ser revelada. Diante do fato de que vai morrer, Ivan Ilitch sente-se traído! Seu sofrimento é contestado e ele não consegue entender qual o sentido de sua morte. Até que ele passa a se questionar qual foi o sentido de sua vida.

A facilidade que Tolstói descreve os pensamentos e as situações, onde o doente sente-se como um peso para a sua família e o envenenamento de sua alma é bem detalhado pelos seus pensamentos frustrados, causam-nos arrepios!

O pensamento humano diante da morte nos conduz para uma profunda introspecção! Enquanto Ivan desmascara as mentiras que permeavam sua existência, o medo da morte vai aumentando, porque ele não se julga pronto para isso já que percebe que não viveu da forma que deveria. 
Assim, é impossível não levantarmos certos questionamentos pessoais!

Muitas vezes não podemos nos livrar da burocracia de se viver em sociedade, mas a vida exige de nós um sentido íntimo para a nossa existência! A busca por nós mesmo deve ser diária e intensa, porque a morte não está em um ser abstrato! Não está naquele que está sentado no banco do ônibus cochilando entre uma parada e outra. É o destino de todos nós, inclusive o seu. Inclusive o meu!


"Caio é um homem, os homens são mortais, logo Caio é mortal”, parecera-lhe a vida toda muito lógico e natural se aplicado a Caio, mas certamente não quando aplicado a ele próprio. Que Caio, ser abstrato, fosse mortal estava absolutamente correto, mas ele não era Caio, nem um ser abstrato. Não: havia sido a vida toda um ser único, especial. Fora o pequeno Vanya, com mamãe e papai e Mita e Volodya, com brinquedos e um tutor e uma babá; e mais tarde com Kátia e todas as alegrias e prazeres da infância, da adolescência e da juventude. O que sabia Caio do cheiro da bola de couro de que Vanya tanto gostava? Por acaso era Caio quem beijava a mão de sua mãe e escutava o suave barulho da seda de suas saias? Foi por acaso Caio quem se envolveu em protestos quando estudante de Direito? Foi Caio quem se apaixonou? Quem presidiu sessões como ele?
E Caio certamente era mortal e era mais do que justo que morresse, mas ele, o pequeno Vanya, Ivan Ilitch, com todos os seus pensamentos e emoções, é completamente diferente. Não pode ser verdade, isto seria terrível demais.
...
“Se eu tinha que morrer, assim como Caio, deveriam ter-me avisado antes. Uma voz dentro de mim desde o início deveria ter-me dito que seria assim. Mas não havia nada em mim que indicasse isso; eu e todos os meus amigos sabíamos que no nosso caso seria diferente. E eis que agora... Não... não pode ser e no entanto é assim! Como entender isso?”"



domingo, 21 de fevereiro de 2016

A Essência do Artista - Cíbila Farani

"Não me considero “Escritora”, escrevo quando sinto vontade ou necessidade, mas apenas como forma de extravasar sentimentos que entopem as vias respiratórias do meu ser. Só isso."
Cíbila Farani





1- Qual conselho você daria a si mesmo se não se conhecesse?

Pense bem antes de agir. 


2- Como seria seu dia se você acordasse criança de novo?

Brincaria muito mais com a minha gata. Iria procurar um parque ou um jardim, deitaria na grama...essas coisas deliciosas que só as crianças sabem fazer.


3- Quais são seus pequenos prazeres? Aquilo que você faz e ninguém liga, mas que te faz muito feliz?

Conseguir cumprir algo que me proponho me dá uma enorme sensação de prazer (risos)! Deitar na minha cama no domingo à tarde e ver filmes no meu notebook; acariciar minha gatinha e cuidar dos outros gatos agregados que vêm aqui em casa; poder passar mais tempo conversando com as pessoas com quem eu gosto de conversar e que, acredito, também gostam de conversar comigo; ler sobre Filosofia; conversar com meus professores; rir das besteiras cotidianas (todos os dias).


4- 3 coisas que você faz, mas não gosta.

Sair de casa à tarde durante o verão; acordar quando quero dormir; ter que mostrar o óbvio para algumas pessoas.


5- 3 coisas que você poderia fazer, gostaria de fazer, mas não faz? Por quê?

Trabalhar no IBAMA ou na WWF ou no GREENPEACE. Bom, precisa estudar muito, falar outro idioma e além disso (e principalmente) eu não teria nenhuma compaixão com quem destrói o verde e assassina animais. Enfim, eu gostaria, poderia, mas não sei se seria uma boa por razões óbvias (risos). As outras duas coisas são: comprar um sítio pra abrigar e cuidar de animais abandonados e viajar pelo mundo. Não faço simplesmente porque não tenho grana pra isso.


6- Você prefere estar certo, ou ser feliz? Já abandonou uma discussão, mesmo sabendo que estava certo, porque estava com preguiça de continuar brigando? Como foi?

Prefiro os dois (risos)! Já abandonei discussões por preguiça, mas foram poucas vezes. Não sei se conseguiria me sentir feliz tendo que assumir o papel de alguém que está errado sem estar verdadeiramente.


7- Você acordou dentro de um livro que você estava escrevendo. Descreva qual a primeira paisagem que vê.

Uma cidade celta. Muito verde, montanhas, um lago de águas cristalinas, temperatura agradável. Um mercado cheio de gente falante e sorridente, crianças fazendo algazarra, animaizinhos correndo de um lado pro outro. Algo assim bem feliz e utópico, pra me dar um descanso de toda essa realidade chata que eu vivo incansavelmente, diariamente. 


8- Quando você percebeu que virou adulto?

Muito cedo. Acho que ainda era criança quando isso aconteceu. Mas eu nem liguei, continuei criança em muitos aspectos e esse é o meu escudo. Não tem nada a ver com o fato de não gostar de acordar cedo, ou de ter que ficar sem trabalho por um tempo para poder estudar, ou mesmo morar com pessoas da sua família. Vai muito além, é algo que está lá dentro de você. É algo como você saber que é forte, mas se permitir ser frágil em algum momento. 


9- Você sentiu seu coração vibrar nas últimas 3 semanas? Por quê?

Senti por algumas razões bem malucas e diferentes umas das outras. Uma porque estava com ciúmes de alguém que eu gosto e queria administrar numa boa isso (foi difícil). A outra por causa de algumas mudanças e a outra porque o tempo está passando. Essa última sempre faz meu coração vibrar, eu sempre fico pensando “e agora, o que virá?” e eu simplesmente adoro essa sensação.


10- Qual foi o papo mais gostoso que você já teve nos últimos 2 meses. Do que se tratava e com quem era?

Eu tenho uns papos tão gostosos com meus amigos sobre tantas coisas legais que fica até difícil escolher um. Mas adoro conversar sobre filosofia com dois professores da faculdade, porque aprendo muito com eles e me fascina a forma como explicam o pensamento dos filósofos e relacionam com as situações da vida cotidiana: Professores Mestres Neimar Silva e Rabib Floriano Antonio. 


11- Se sua vida fosse um filme, qual filme você gostaria que fosse?

Maleficent. Por muitas razões que acho incríveis. O fato dela não ser má, mesmo com esse nome, de ter sofrido uma traição em seus sentimentos mais puros por causa de poder, de ter sido forte sem perder a essência protetora...chega de spoilers!


12- Tem um desconhecido almoçando sozinho no mesmo restaurante que você. Se você perguntasse quem ele era, o que ele responderia?

“Eu sou eu! E você quem é?”


13- Qual o melhor sabor do mundo?

Aquele que se deseja. Adoro o sabor da água fresca quando estou com sede.


14- Qual o melhor cheiro do mundo?

Aquele que evoca as melhores lembranças ou que está presente no momento atual. O perfume de quem se ama, o cheirinho do seu bebê, o aroma da comida da sua mãe, e por aí vai.


15- Descreva uma característica sua que você não sabe se é sua mesmo, ou se são seus pais dentro de você. 

A mania de rir ou de falar coisas sem o menor sentido em momentos inadequados (minha mãe é assim). 


16- Olhe a sua volta, por que você está onde está?

A resposta para essa pergunta é longa. Mas prometo que tentarei resumir. Vou começar com um título simples, senta aí e anota: Guerra e Paz.... (risos).


sábado, 20 de fevereiro de 2016

A Essência do Artista - Alexandre de Jesus

O entrevistado de hoje é autor de um livro que postei resenha aqui
Fiquei apaixonada por Sentimentalmente Burro e acabamos nos encontrando na internet. 

Aproveitem a entrevista e descubram qual é a essência deste artista!



Meu nome é Alexandre de Jesus. Tenho 37 anos e escrevo desde a infância. 
Gosto de todos os gêneros literários e sempre li de tudo um pouco. 
Nessa minha vida de relação com as letras, já escrevi quatro livros de poesia: 
Jeito Facílimo, Razão do Flagelo, Sob e Sobre a Terra e A Morte da Poesia nos Anos 90. 
Também escrevi romances: A Verdade é Muda, Paixão com Ódio e Céu, Entre o Barro e o Cimento, e um que ainda está sendo escrito, por isso não tem título - ainda. 
Ah, também não posso esquecer de um livro de relatos íntimos em forma de crônicas ou cartas: Sentimentalmente Burro.   

Sentimentalmente Burro é um livro de “relatos” em forma de crônicas ou cartas, fruto de um trabalho de pesquisa realizado durante dois anos e meio, no qual pessoas de várias idades e vários contextos sociais foram ouvidas para compor os relatos que aí estão. Embora os fatos sejam fictícios, também não seria correto afirmar que "são baseados em fatos reais", pois o que há de real no livro são as experiências vividas pelas pessoas e por elas próprias contadas, e não as narrativas em si. E contadas de forma exclusiva à pessoa que, direta ou indiretamente, está envolvida na situação. 
Sentimentalmente Burro é uma experiência inusitada de fazer uma vasta mistura de experiências amorosas, em que o leitor assume o papel de observador, um tipo (no bom sentido) bisbilhoteiro que lê as coisas mais íntimas escritas por alguém que morreria de vergonha se outra pessoa as lesse.
 É certo que as relações ali vividas são de tal forma muito marcantes para todas as personagens, justamente porque são fortes e extremamente íntimas e verdadeiras. 



1- Qual conselho você daria a si mesmo se não se conhecesse?

Diria: ame a vida, as pessoas e a natureza muito mais do que tem amado.


2- Como seria seu dia se você acordasse criança de novo?

Passaria o dia inteiro deitado na cama com o edredom até a altura do pescoço com os olhos estatelados no teto. Sempre tive vontade de fazer isso, mas nunca fiz porque sempre pulava cedo da cama para brincar. O que, admito, é mil vezes melhor.


3- Quais são seus pequenos prazeres? Aquilo que você faz e ninguém liga, mas que te faz muito feliz?

É uma incoerência. Os meus pequenos prazeres são os maiores prazeres que existem: Estar junto, seja onde e como for, da família e dos amigos; conversar com pessoas desconhecidas, seja onde e como for. Quando faço isso, um mundo de possibilidades prazerosas sempre se abre para mim – e ninguém percebe. 


4- 3 coisas que você faz, mas não gosta.

Trabalhar, trabalhar e trabalhar.


5- 3 coisas que você poderia fazer, gostaria de fazer, mas não faz? Por quê?


1) Salvar o mundo de algo ruim: porque posso. Sempre podemos salvar o mundo de algo ruim, quer seja educando alguém ou a nós mesmos a não se tornar um perverso, quer seja retirando do ambiente uma latinha de alumínio. 

2) Viajar: posso, gosto, mas não faço. Por quê? Porque tudo tem seu tempo (sic).

3) Ficar mais tempo à toa: Posso, porque o tempo é meu e de mais ninguém; gostaria muito, entretanto, aos vaidosos, aos arrogantes, aos narcisistas assim como eu (cheios de planos e metas para o futuro segundo o qual tempo é dinheiro), ficar à toa é um luxo que não me posso dar. Pura fanfarronice! Fanfarronice pura!


6- Você prefere estar certo, ou ser feliz? Já abandonou uma discussão, mesmo sabendo que estava certo, porque estava com preguiça de continuar brigando? Como foi?

Prefiro estar certo e ser feliz. Não me lembro... quando discuto (discorro/debato um assunto) eu nunca brigo. A briga significa que a discussão, a troca de ideias e opiniões, chegou ao fim. E a partir daí surge uma situação cujo desfecho é imprevisível. Não dá para discutir e brigar ao mesmo tempo. Por isso, que toda vez quando você vir duas pessoas “brigando e discutindo” a situação será sempre patética, na qual se desperdiçam palavras e energia física de ambos os lados.


7- Você acordou dentro de um livro que você estava escrevendo. Descreva qual a primeira paisagem que vê.

Palavras... palavras... palavras.... Sou um conjunto de aflições, alumbramentos, uma porção de terra muito fértil cercada de palavras por todos os lados. Esta é a primeira paisagem. Minhas personagens são tubarões famintos a me circundar.


8- Quando você percebeu que virou adulto?

Não sei. Aliás nem sei se sou adulto. Segundo a legislação vigente, sim, sou. Mas... Meu coração nunca fala nada e continua o mesmo: entra ano e sai ano. Vai entender! 


9- Você sentiu seu coração vibrar nas últimas 3 semanas? Por quê?

Sim. Quando vi uma cobra que estava com parte do corpo esmagado, no meio do asfalto, e, quando me aproximei, armou o bote.



10- Qual foi o papo mais gostoso que você já teve nos últimos 2 meses. Do que se tratava e com quem era?

Foi com a minha vó. Ela falava que os homens do mundo estavam se acabando desde há muito. E me explicava e provava por A+B.


11- Se sua vida fosse um filme, qual filme você gostaria que fosse?

...E o Vento Levou. “Nunca mais sentirei fome! ”. Impagável.


12- Tem um desconhecido almoçando sozinho no mesmo restaurante que você. Se você perguntasse quem ele era, o que ele responderia?

Ele me responderia quem ele era, ora! Brincadeirinha... Não sei, provavelmente eu teria de respondê-lo primeiro, tipo: Por que você quer saber quem eu sou? Uma situação bem constrangedora, salvo minha imensa capacidade de dissimulação e/ou o bom humor e cordialidade do meu interlocutor.


13- Qual o melhor sabor do mundo?

São tantos, tantos... Impossível saber.


14- Qual o melhor cheiro do mundo?

Qualquer um que traga coisas boas à memória, ou... ao corpo.


15- Descreva uma característica sua que você não sabe se é sua mesmo, ou se são seus pais dentro de você. 

A esquisitice.


16- Olhe a sua volta, por que você está onde está?

Porque só aqui eu poderia estar se tivesse fazendo o que eu estou fazendo.


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

A Essência do Artista - Bruno Black

  Olá, Pessoal!

Vamos iniciar nossas entrevistas. A ideia é fugir das perguntas óbvias e tentarmos desvendar a essência de cada artista. 
O que os move? 
De onde vem tanta sensibilidade?

Começaremos com o poeta Bruno Black, que vocês conhecerão a seguir. 
Mas antes, quero agradecer demais a oportunidade de conhecer melhor esse meu convidado.  
Desejo muito sucesso para você, Bruno! E que a vida sempre lhe dê razões para sorrir!

Vamos Lá!



Em 2016 o aprendiz Bruno Black comemora 17 anos de carreira e convida a todos a festejar com muita poesia o dom com o seguinte lema: 
Se tens um dom, seja!

Sua maior dedicação por toda a vida é a poesia e como resultado já lançou cinco livros: 
Perdas e Ganhos, Face a Face o que tu me diz?, Minha Cidadania Violada até quando?, Face a face Eu ser Palavra e Poético. 




Já participou de mais de Trinta antologias e já possui cerca três mil poesias. 

Participou de programas como: 
Atitude.com, Salto Pro futuro na TVE, Esquenta da Rede Globo e Cotidiano da NGT. 
Bienais Internacionais: 2006, 2008, 2014 e 2016 (São Paulo); 2015 (Rio de Janeiro) e de Volta Redonda (FLIR) e Minas Gerais (Expominas 2016) e Feiras: 2015 - Resende e de Valença. 


O seu dom tem sido tão especial que ele atraiu a atenção de nada mais nada menos que a cantora Maria Bethânia.
Ele desde criança sabia o que queria da vida, e era chamado de menino prodígio. Aos poucos esse jovem Poeta, está fazendo seu nome por todos os cantos, espalhando sua arte, popularizando seu dom, criando parcerias de ouro e disposto a conquistar seu espaço no cenário cultural de sua cidade e no mundo, de um jeito único, totalmente simples e mágico, mas com uma pitada divina de carisma, talento, dedicação e amor!
Viva a poesia!


1- Qual conselho você daria a si mesmo se não se conhecesse?

Menino de Ouro, não  tenha medo de ser diferente é um barril DE criatividade,seja seu dom em ação, seja persistente e ame esse dom que Deus te deu mais do que qualquer coisa nesse mundo! 


2- Como seria seu dia se você acordasse criança de novo?

Simplesmente encantador,cheio de brincadeiras,invenções, praia e muitas histórias  pra conter e fazer... seria um amante da natureza e extremamente divertido ...


3- Quais são seus pequenos prazeres? Aquilo que você faz e ninguém liga, mas que te faz muito feliz?

Dormir, escrever, criar coisas o tempo todo como exercício  de fazeres e não  como compulsão,beijar muito o meu amor, adoro admirar natureza e passear por qualquer lugar pra me inspirar,gravar vídeos  brincando,fazer comida, tomar banho de Cachoeira e sempre esperar no mar o aparecimento de uma tartaruga. Kkk


4- 3 coisas que você faz, mas não gosta.

Ter que acordar cedo, ter agenda, ter disciplina.


5- 3 coisas que você poderia fazer, gostaria de fazer, mas não faz? Por quê?

Dormir até  12 hs,comer muito doce sempre e viver viajando por lugares encantadores. Porque não  dá  nesse momento pra abrir mão  de tudo pra viver assim,além  de gerar custos,preciso ter uma vida normal pra realizar meus sonhos  e pagar as contas.


6- Você prefere estar certo, ou ser feliz? Já abandonou uma discussão, mesmo sabendo que estava certo, porque estava com preguiça de continuar brigando? Como foi?

Ser feliz!Sim,diversas vezes,brigar com alguém  mas ignorante que você  é burrice e desgaste,então dá  preguiça  de brigar com alguém  que não  vai te levar a lugar algum de crescimento e evolução. Já me valeu diversas vezes estando certo...eu não  posso medir meu valor pela ignorância dos outros,então  muitas vezes prefiro o silêncio!


7- Você acordou dentro de um livro que você estava escrevendo. Descreva qual a primeira paisagem que vê.

Um jovem no meio de um campo lindo,com uma natureza bela,encostado nunca árvore  escrevendo sobre a vida!


8- Quando você percebeu que virou adulto?

Quando eu me emancipei emocionalmente!


9- Você sentiu seu coração vibrar nas últimas 3 semanas? Por quê?

Por meu novo sonho pra 2017. Porque é algo que está  me fazendo mudar minha mentalidade como poeta, criando novas fórmulas internas desconhecidas por mim mesmo e que me fará, se eu me mantiver conectado,bater mais recordes pessoais como poeta aprendiz...


10- Qual foi o papo mais gostoso que você já teve nos últimos 2 meses. Do que se tratava e com quem era?

O papo mais gostoso foi com meu amor. Falamos sobre continuar o sonho e manter a força  e a energia pra segurar as coisas ruins que tentam contra nós por egoísmo e até  por não  alcançarem aquilo que estamos como ser humano.


11- Se sua vida fosse um filme, qual filme você gostaria que fosse?

...sou péssimo  pra gravar nomes... São  tantos. .. seria o Avatar!


12- Tem um desconhecido almoçando sozinho no mesmo restaurante que você. Se você perguntasse quem ele era, o que ele responderia?

RS... acho que um fantasminha camarada...kkk...


13- Qual o melhor sabor do mundo?

O do amor 


14- Qual o melhor cheiro do mundo?

O do desejo...


15- Descreva uma característica sua que você não sabe se é sua mesmo, ou se são seus pais dentro de você. 

Mãe: Guerreira!


16- Olhe a sua volta, por que você está onde está?

Entendi de várias formas... concretamente,estou em casa rodeado de 3 cadelas lindas porque as amo.
E onde estou a nível  artístico : Porque estou lutando muito e realizando aquilo que descobri  que é o meu melhor!!!Você a poesia de dentro e de fora! ##Enigmas!

Análise  Crítica  do meu livro feita por Artur Rodrigues (Escritor,editor da Editora Litteris)



Obrigado pela oportunidade de dizer um pouco do que me alimenta é alma!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Conhecendo Harry (Parte II)

“A CÂMARA SECRETA FOI ABERTA. INIMIGOS DO HERDEIRO, CUIDADO.”



Depois das terríveis férias de verão na casa dos Dursley, Harry finalmente chega a Hogwarts. Mesmo depois de ter recebido a visita de Dobby, um elfo doméstico, dizendo para que o bruxinho não voltasse para a escola de magia ou coisas terríveis aconteceriam.
E é verdade que acontecem! O colégio passa por uma grande tensão depois que a gata Madame Nor-ra é encontrada petrificada e o aviso deixado na parede é muito claro: A Câmera Secreta foi aberta! 
Existe uma criatura que começa a petrificar bruxos descendentes de trouxas e toda a escola está em um grande clima de mistério!
Esse clima consegue sair das páginas e nos invade sem pedir licença. Quando nos damos conta, já estamos completamente envolvidos e devorando capítulo por capítulo cedendo ao desespero por encontrar respostas. 
E finalmente me sinto fisgada pelas aventuras de Harry, Rony e Hermione. Aventuras essas, muito bem contadas, com descrições leves e marcantes que nos fazem realmente viajar para esse universo fantástico e nos imaginar observando tudo de perto.
É possível observar que preconceito e bullying são bem explorados nesse livro. Fantasia e realidade se fundem para fazer com que crianças e adolescentes se enxerguem na leitura, contribuindo para que eles estabeleçam suas éticas morais. 
O filme é bem fiel ao livro, como disse no outro Sentimento Literário, tudo está sendo novidade, já que nunca havia lido nem assistido Harry Potter.
A sensação de ver tudo o que imaginamos tomando vida na tela, não é frustrada! Poucos detalhes são alterados e sem interferir na essência da história. 
Enfim, se para crianças e adolescentes conhecer Harry Potter pode sim ajuda-los a serem indivíduos mais críticos, para nós, meros trintões, digo que temos o prazer de visitarmos o mundo mágico de nossa infância e adolescência. Todo aquele frescor e as sensações extasiantes das descobertas são ressuscitadas com essas aventuras. E é impossível não terminar cada leitura se sentindo mais leve e mais dispostos a simplificarmos nossas vidas. 
Espero que continue assim!
Nos vemos de novo em Harry Potter e o Prisioneiro de Askaban. 

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Maratona de Carnaval - Um Conto por Dia - Depois do Baile (Lev Tolstói)

Depois de enfrentar a Maratona de Carnaval do Clube Literário Palavras ao Vento, venho dividir com vocês o prazer que tive com a escolha do meu último conto do desafio. 
Entrar nessa maratona me animou e vou continuar tentando cumprir o desafio de ler um conto por dia, assim, vou selecionar o melhor da semana e trazer para o blog. 



"Depois do Baile" foi escrito quando o autor estava com seus 75 anos de idade, mas só foi publicado após a sua morte, em 1911.
Jamais me deparei com um conto tão bonito, profundo e significativo! 
Através de uma narrativa com tom de revolta e desabafo, Tolstói nos denuncia sem piedade e coloca em evidência nossa covardia.
Nosso narrador Ivan Vassílievich tenta justificar o fato de que para que as pessoas sejam boas, elas precisam de condições para isso e começa a nos contar sobre a manhã que ele acredita ter mudado toda a sua vida. 

"— Então os senhores dizem que o homem não pode entender por si próprio o que é bom e o que é ruim, que toda a questão está no meio, que somos vítimas do meio. Mas eu acho que toda a questão está no acaso. Vou falar sobre mim mesmo"

Ivan, um jovem rico e bonito, conta que se apaixonou profundamente por Várienka B durante um baile.
A descrição da jovem e do sentimentos que o arrebatou são tão detalhados, sensíveis e profundos, que logo entendemos o porquê do conto ser tão apreciado pelos amantes da literatura. 
Envolvido pela atmosfera de paixão, Ivan não consegue dormir e decide dar uma volta na manhã após ao baile. Seus sentimentos são os mais puros e a felicidade explode a sua volta fazendo com que ele veja o mundo como um lugar encantador!

"Assim como uma gota, ao verter de uma garrafa, faz seu conteúdo transbordar, também em minha alma o amor por Várienka liberou toda a capacidade de amor escondida em mim. Naquele momento eu estava abraçando o mundo inteiro com o meu amor. "

Porém, ele se depara com a cena mais chocante de toda a sua vida! E isso faz com que todo aquele amor vá diminuindo a tal ponto que deixa de existir.
Quando o narrador nos apresenta tais fatos, é impossível não pensarmos em quantas vezes vivemos algo parecido. 
O autor não nos poupa e nem poupa a si mesmo! Denuncia nossa tendência negligente, mostrando que mesmo vivenciando um episódio de injustiça, violência e crueldade, não nos revoltamos e simplesmente nos envergonhamos e nos rendemos à covardia, preferindo virar o rosto para não vermos tais situações.  
Este conto é uma crítica à sociedade, ao poder das classes privilegiadas e à alienação do ser humano e sua negligência da responsabilidade de um ser social. 
Conhecer um conto desses, escrito em 1903, nos mostra que mesmo com todos os avanços que fizemos, ainda sofremos das mesmas doenças da alma. 
As ferramentas necessárias para conter e administrar a civilização não devem ser contestadas! 
É o que sempre ouvimos dizer por aí. 
Mas por que será que nos sentimos tão envergonhados e violados quando nos deparamos com tais ferramentas? 
O mundo continua sendo o mesmo, repleto de beleza para quem consegue vê-la. 
Ele só deixa de ser confiável quando nós conhecemos o lado sombrio da humanidade. 

"Então, os senhores acham que naquele momento concluí que o que tinha visto era algo ruim? De modo algum. “Se aquilo tinha sido feito com tanta convicção e se todos consideravam necessário, então quer dizer que sabiam algo que eu não sabia” — pensava, e tentava descobrir o que era. Mas, por mais que tentasse, não conseguia descobrir o que era, nem depois. E, sem descobrir, não podia ingressar no serviço militar, como antes desejava, e não apenas não servi no exército, mas nunca servi, em lugar algum, e, como os senhores podem ver, não servi para nada."




terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Sentimentos Literários - Sentimentalmente Burro (Alexandre de Jesus)

“Então, por mais que estejamos casados, nosso corpo, nossa alma, nossas vidas jamais estarão casados: o verdadeiro amor é o que descasa e nos despe da vaidade de “possuir”, cura-nos dessa doença aflitiva de “poder alcançar a felicidade”, pelo simples fato de não se preocupar com a felicidade. Quem tem amor no coração jamais se preocupa em encontrar a felicidade. Quem se preocupa são os nossos sonhos: vaidosos, arrogantes, egoístas e até destrutivos. Um sonhador jamais questiona a legitimidade de seus sonhos. Esta é a razão por que muitos perpetram barbaridades aos outros e a si mesmos em nome dessa coisa linda que se chama “sonho”. E é linda mesmo! Por isso, quando alguém lhe disser: “Meu amor vai fazê-la feliz...” Desconfie, fique alerta e pode ter certeza de que não é amor verdadeiro. Quem faz outra pessoa feliz somos nós, não nossos sentimentos. Nossos sentimentos são nossos, só nossos, e não podem ser emprestados nem divididos. É exatamente aí que o nasce o AMOR."




Estava assistindo a um vídeo do Canal Literature-se com a Mell Ferraz, quando me senti completamente tentada a conhecer a obra de Alexandre de Jesus. Pareceu-me algo muito diferente e de fato, foi o que encontrei em seu livro. 
Através de relatos curtos, sob o ponto de vista de diversas pessoas de diferentes idades, Sentimentalmente Burro reúne cartas que falam sobre o amor. Todos os relatos são fictícios, porém, nos sentimos como se estivéssemos mergulhando nas intimidades dos apaixonados. O autor recolheu materiais por cerca de 2 anos para compor a obra e conseguiu nos convencer quanto aos diferentes efeitos causados pelo amor. 
As narrativas são compostas desde crianças que se descobrem apaixonadas, ou pelo tormento de um homem agressor, até por mulheres que se submetem a abuso acusando o amor de ser o responsável por sua impotência. Diante de desabafos dolorosos, percebemos que todos somos meros bonecos vivos dominados por esse sentimento considerado tão nobre!
São 28 crônicas inquietantes e profundas mesmo quando curtas e aparentemente superficiais. Quando não nos sensibilizamos com algumas narrativas febris, nos identificamos com o que aparentemente se apresenta como bobo, mas que todos nós, um dia, já vivemos ou viveremos. Afinal, ninguém está imune de ser pego cometendo as maiores imbecilidades e culpando o amor por isso. Temos a tendência de culparmos o amor pelos nossos sofrimentos e negamos o fato de que nós somos incapazes de sabermos lidar com ele, somos todos Sentimentalmente Burros e passamos a vida inteira tentando aprender a maneira certa de amar, torcendo para que os outros aprendam a maneira certa de nos fazer sentir amados. 

“A explicação é bem simples e curta: todo ser humano é sentimentalmente burro. Só o amor é inteligente. Mas é aí que a coisa se complica, pois diante do nosso orgulho jamais admitiremos essa verdade. Resta-me somente uma conclusão: “Só é feliz quem não necessita da felicidade para ser feliz.”


"O amor não está no outro, não está em mim, não está em lugar algum, até porque o verbo “estar” não possui estrutura para sustentá-lo. Mas ele sim, o amor, nos suporta, e suporta para todo o sempre o enigma e a magia do “saber sem saber”. Eis a razão de manter minha mente sempre aberta, meu corpo sempre pronto, meu coração sempre à espera.”




quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Sentimentos Literários - Se vivêssemos em um lugar normal (Juan Pablo Villalobos)

“Mas essa coisa de classe média parecia as quesadillas normais, algo que só podia existir em um país normal, em um país onde não estivessem permanentemente tratando de foder a sua vida. Todas as coisas normais eram difíceis pra caralho de conseguir. No colégio, tinham se especializado em organizar genocídios de extravagantes para nos transformar em pessoas normais, era o que nos exigiam os professores e os padres, por que diabos não podíamos nos comportar como gente normal? O problema é que se os tivéssemos levado à sério, se tivéssemos seguido ao pé da letra as interpretações de seus ensinamentos, teríamos feito o contrário, só merdas bem loucas mesmo.” (p.32)

Ano: 2013 / Páginas: 153
Idioma: Português
Editora: Companhia das Letras

"Só faltou meu pai acrescentar: ele não tem experiência em viver em jaulas. Mas em compensação eu tinha experiência em viver em caixa de sapatos." (p.103)


Juan Pablo Villa Lobos usa o sarcasmo e o humor ácido para falar sobre a luta de classes nesse mundo capitalista. Através das histórias da vida da família de Orestes, ou Oreo, o autor nos mostra os desafios vividos pelos países em desenvolvimento. 
Nossas lutas começam contra a corrupção e a política desonesta, passa pelo crescimento industrial desenfreado e continua através do cotidiano daqueles que deveriam se alimentar de esperanças por dias melhores.
Através de muito pessimismo e quesadillas, Oreste narra como é sua vida em uma família cheia de crianças com nomes de filósofos gregos, um pai educador, uma mãe melodramática, e o dia a dia na “caixa de sapatos” (como ele chama sua casa). 

“A confusão é em essência preguiçosa e oportunista, não se esforça para se manifestar em ambientes controlados, ela pede cenários propícios e nunca desperdiça uma turba.” (p. 64)

A expectativa de que seres de outros planetas os salve da pobreza, a dúvida quanto a sua verdadeira posição social (será que pobre ou classe média?), vacas lésbicas, melancias psicodélicas, periferia do Lago do Moreno no morro da Puta que Pariu, México... esse é o cenário descrito pelo autor! Poderia ser cômico se não fosse tão trágico! Com uma linguagem muitas vezes rebuscadas sendo mesclada com palavrões, “Se vivêssemos em um lugar normal” começa quando nosso protagonista, que é também nosso narrador, descreve seu cotidiano e a chuva de insultos que seu pai faz aos políticos da televisão. Por causa da amargura que Orestes descreve suas desventuras, somos impedidos de chegarmos às lágrimas e parece que isso era exatamente o que o autor pretendia. 
Este é o segundo livro da trilogia que autor dedica ao México. 
Um livro que fala muito mais do que aparenta estar falando. Onde nada é coincidência! Seja a descrição de um rio que coleta dejetos da Nestlé, ou do nosso protagonista ter o apelido de Oreo... Trata-se de uma crítica brutal à sociedade, economia mundial, corrupção e às diferenças de classes.

“Nos Estados Unidos não havia lixo, tudo reluzia, igualzinho na televisão. As pessoas não eram porcas, não jogavam lixo na rua, todos depositavam no lugar certo, em lixeiras de cores diferentes, que serviam para classificar os dejetos. A lixeira das cascas de banana. A lixeira das latas de refrigerante vermelhas. A lixeira dos ossos de frango do Kentucky Fried Chicken. A lixeira do papel higiênico sujo de merda. Umas lixeiras gigantes das coisas velhas e fora de moda que haviam se transformado em uma vergonha para seus ex-proprietários. Era tão impressionante que inclusive você, que só estava de férias, também não jogava lixo na rua.” (p.51)